quinta-feira, 14 de junho de 2007

Resenha do texto “A Revolução de 1930” de Boris Fausto

O artigo “A Revolução de 1930”, de Boris Fausto (Brasil em Perspectiva, Bertrand Brasil) pretende explicar as condições econômicas e políticas que permitiram a formação da Aliança Liberal e a eclosão do movimento revolucionário de 1930.
A sociedade brasileira tem sido caracterizada, na Primeira República, como um organismo social em que predominam os interesses do setor agrário-exportador, voltado para a produção do café.
A maneira pela qual este setor garantiu sua renda durante os primeiros anos da República aumentou a dependência brasileira com relação ao capital externo. O mecanismo da desvalorização cambial, por sua vez, foi um forte limitador dos efeitos da baixa do produto, socializando as perdas do setor cafeeiro. No entanto, num segundo momento, quando a depreciação cambial chega a pontos extremos, a burguesia cafeeira se vê novamente em situação difícil e há uma crise de preços do café, resultado da superprodução que começa a se instalar no mercado internacional. A saída foi a valorização do produto, com a retirada do mercado de parte da produção.
Entretanto, a política de valorização exigia recursos financeiros consideráveis. Um novo apelo ao capital externo tornaria o setor cafeeiro especialmente vulnerável às oscilações do mercado internacional, o que de fato ocorreu.
A burguesia cafeeira conseguiu impor ao país seus interesses econômicos durante várias décadas. Até porque não existia na época uma burguesia industrial que pudesse se opor à do café.
A incipiente industrialização brasileira se desenvolvia de forma descontínua e irregular, dependendo de divisas provenientes do próprio café e de oportunidades que provisoriamente apareciam, vindas do exterior.
Assim sendo, as oligarquias cafeeiras regionais predominavam na República Velha e o Estado não apresentava nenhuma ameaça à autonomia regional, razão pela qual não se observa, no período, a formação de partidos políticos que representassem interesses nacionais.
É neste quadro de forças que surge a Aliança Liberal, “de um acordo entre Estados cujos interesses não estão vinculados ao café (...)”, no fim da década de 20, trazendo a reforma política para o centro de seu programa e defendendo a representação popular através do voto secreto e a adoção de medidas que evitassem a fraude. Getúlio Vargas surge, então, como o candidato da Aliança Liberal e o Rio Grande do Sul como força oposicionista ao governo de Washington Luís.
A fraude, entretanto, vai marcar novamente as eleições de 30, desencadeando, juntamente com o assassinato de João Pessoa, a reação revolucionária que leva Getúlio Vargas à presidência da República. A classe média e o movimento “tenentista”, desta forma, serviram como importantes instrumentos de instauração e manutenção do governo revolucionário.
Outro dado importante é que a própria burguesia cafeeira já se encontrava insatisfeita com o governo de Washington Luís pelo fato deste Ter se recusado a atender determinadas reivindicações da lavoura, como emissões para seu financiamento e moratória, já que os capitais externos tornaram-se escassos e as dívidas já eram bem grandes.
A depressão internacional que ocorre em 1929, com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, também pode ser, para Fausto, um dos elementos explicativos para a revolução de 30.
Após a revolução, os problemas da economia cafeeira voltam à cena nacional. Neste período, as disputas entre os “tenentes” e os quadros políticos tradicionais ficam mais acirradas e o progressivo afastamento quadros políticos paulistas do poder central leva os diversos setores da burguesia de São Paulo á luta armada em 1932, levando o governo, mesmo tendo ganho a disputa, a atender algumas das reivindicações dos setores revoltosos.
Ironicamente, a parte da burguesia paulista que havia se manifestado a favor de Getúlio na campanha promovida pela Aliança Liberal veio a se transformar dois anos depois na alma das manifestações contra o governo nascido da revolução.
O mesmo se deu com os “tenentes”: nunca conseguiram adquirir coesão interna de modo a constituir-se num partido político e obter o efetivo apoio de qualquer categoria social, acabando por esvaziar-se de sentido.
Em síntese, mesmo definindo com segurança um tipo de relação entre o Estado e o operariado, o Governo que se estabelece no Brasil, em 1930, não representa os interesses de qualquer segmento da sociedade, não sendo capaz de modernizar o país nem estabelecer uma economia forte e não dependente.

Um comentário:

Camila disse...

essa resenha q vc fez começa na pagina 54 né??!?!